As zoonoses, doenças transmitidas entre animais e humanos, representam um desafio significativo para a saúde pública global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 60% das doenças infecciosas humanas têm origem animal, destacando a importância de entender e prevenir essas doenças.

A infectologista Dra. Rebeca Saad, do Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (CEJAM), busca esclarecer mitos e verdades sobre zoonoses, abordando temas como transmissão, riscos e prevenção. Ela destaca que a informação correta é fundamental para a prevenção e que o medo injustificado pode levar ao abandono de animais de estimação.

Entendendo as Zoonoses

As zoonoses são doenças infecciosas causadas por vírus, bactérias, parasitas ou fungos, transmitidas entre animais e seres humanos. A Dra. Rebeca Saad explica que o Ministério da Saúde classifica as zoonoses como um desafio relevante devido à sua ligação com fatores como urbanização, mudanças climáticas, saneamento inadequado e maior contato entre humanos e animais.

Entre as principais zoonoses monitoradas no Brasil, destacam-se a dengue, zika vírus, chikungunya, leptospirose, raiva, leishmaniose, febre maculosa, toxoplasmose, hantavirose, doença de Chagas e esporotricose humana. A especialista reforça que o risco depende do tipo de exposição e que, em muitas situações, o problema não está no animal em si, mas na forma como o ambiente e a higiene são manejados.

Desmistificando Mitos Comuns

Muitos mitos circulam em torno das zoonoses. Um deles é que toda doença transmitida por animais vem de cães e gatos, o que não é verdade. A transmissão ocorre por contato com animais infectados, fezes, urina, saliva, vetores como carrapatos e mosquitos, além de água ou alimentos contaminados.

Outro mito é que conviver com pets sempre aumenta o risco de adoecer. No entanto, animais domésticos saudáveis, vacinados, vermifugados e com acompanhamento veterinário apresentam baixo risco de transmissão de zoonoses. A convivência responsável com animais de estimação, quando há responsabilidade e rotina de cuidados, não deve ser encarada como ameaça e pode trazer benefícios emocionais e sociais.

A ideia de que zoonoses são um problema restrito a áreas rurais também é um mito. O risco existe em áreas urbanas, especialmente quando há saneamento inadequado, presença de vetores, acúmulo de lixo ou contato com água e alimentos contaminados.

Conclusão: A prevenção de zoonoses depende de uma abordagem integrada que envolve saúde humana, saúde animal e ambiente. Medidas simples, como manter a vacinação em dia, controlar parasitas, higienizar as mãos após manipular animais ou limpar fezes e caixas de areia, e evitar contato com animais silvestres ou desconhecidos, auxiliam na prevenção. A informação correta e a responsabilidade compartilhada são fundamentais para proteger pessoas e animais, tornando possível conviver de forma responsável e segura com cães, gatos e outros animais.

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