“Coletar lixo” é uma alternativa encontrada por alguma dessas pessoas, que veem nessa função uma saída de complementar à renda de sua sobrevivência

O mundo mudou e ao longo dos anos as pessoas cada vez mais buscam uma forma de inserção no mundo social e do trabalho, como é caso dos  “catadores do lixo” que realizam uma atividade muito importante para a sociedade e o meio ambiente. “Coletar lixo” é uma alternativa encontrada por alguma dessas pessoas, que veem nessa função uma saída de complementar à renda de sua sobrevivência.

Cabe aqui registrar o talento desses homens e mulheres que para viver mesmo encontrando dificuldades e discriminação social, seguem valentes catando lixo aqui e ali e isso é visível ao caminhar nas ruas da cidade e as empresas recicladoras precisam do trabalho dessas pessoas.

O Portal de Notícias Olhar do Sul destaca o papel do “catador de lixo” de Orleans e junto com os leitores entender um pouco mais esses trabalhadores que de uma maneira ou de outra ajudam na preservação do meio em que vivemos. Para isso fomos ouvir o catador de lixo Rudnei Miranda 46 anos, residente na Rua Luiz Pizzolatti Sobrinho, que faz esse trabalho há 20 anos em Orleans com ajuda de seus irmãos. Acompanhe a entrevista que realizamos com ele:

 

Entrevista

Olhar do Sul – Foi você que optou por esse trabalho?

Rudnei – Sim. Na época meus quatro irmãos: Eu, Vilmar, Antônio e Romilton. Trabalhávamos no caminhão do lixo da prefeitura de Orleans e fazíamos isso todos os dias e vendo aqueles lixos indo para a natureza e para fora da cidade começamos a pensar em juntar tudo isso e vender.

Olhar do Sul – Como fizeram para organizar o trabalho de coleta?

Rudnei – Decidimos primeiro arrumar um modo de coletar dai veio à ideia do carrinho de mão, mais tarde ou cinco anos depois optamos por uma carriola para aumentar o numero da coleta. Antes fazíamos três viagens e após a carriola uma viagem e meia pelo espaço que tem.

Olhar do Sul – No inicio vocês já ganhavam com esse trabalho?

Rudnei – Desde o início no momento quando resolvemos coletar os lixos nós já tínhamos o comprador e desde lá já mudamos para três compradores.

Olhar do Sul – Na época vocês passaram alguma dificuldade de coletar?

Rudnei – Sim. A conscientização das pessoas na época lá no início não era tão responsável como agora, tínhamos dificuldade de fazer a separação e não era todos os dias, mas às vezes machucávamos. Hoje as pessoas estão mais conscientes e o lixo de hoje estão separados corretamente.

Olhar do Sul – Quanto de lixo vocês recolhem diariamente em Orleans?

Rudnei – Em média por dia eu e meus irmãos recolhemos 500 quilos de papelão (lixo) e no final mês entregamos para a empresa mais ou menos 6 mil quilos de lixo. Também recolhemos plástico e lata de alumínio, nesse trabalho em média entregamos 1.500 quilos para a empresa de Braço do Norte faz uns quinze dias. Esta semana já temos uma carga de plástico com 1.200 quilos.

 Olhar do Sul – O que representa esse trabalho para você?

Rudnei – Representa muito. Para mim vejo como sobrevivência e para a vida pensa que estou colaborando com o meio ambiente. Se eu não fizesse esse trabalho sinceramente não sei onde íamos parar com tanto lixo sendo colocada a disposição da natureza.

Olhar do Sul – Esse trabalho ajuda no sustento de sua família?

Rudnei – Sim. Tenho esse trabalho como forma de colaborar com a vida e o meio ambiente e claro o dinheiro que entra é bem vindo. Mas minha sobrevivência vem de meu trabalho na prefeitura como catador de resíduos sólidos e tenho uma remuneração mensal e a coleta do lixo complementa a renda.

Olhar do Sul – Fale de sua família?

Rudnei – Minha esposa se chama Ivone de Oliveira Rosa Miranda, meu filho José Vitor Rosa Miranda, estuda na Escola Toneza e resido numa casa que foi herança de meu Pai (in memória) senhor Vitório Miranda mais conhecido por Pedro CC. Eu estudei até a 5º Série na escola Santos Sprícigo e terminei na escola Toneza.

Olhar do Sul – Você e seus irmãos sempre trabalharam juntos?

Rudnei – No início quando começamos éramos quatro coletando, depois na reciclagem dois irmãos desistiram o Romilton e o Antônio, ficando eu Rodnei e o Vilmar. Mais tarde entrou o Osmar e o José, nesse dia foi decidido melhorar a coleta. Eu venho de uma família de 16 irmãos, quatro falecidos e 12 vivos. Desses 12 irmãos tenho cinco irmãs, Lurdes, Rosimeri, Rosiani, Rosinete e Claudete. Na reciclagem nunca deu problema e na família aqueles problemas que toda família tem.

Olhar do Sul – Nessas coletas você já encontrou alguma coisa interessante?

Rudnei – Na coleta diária de papelão nunca encontrei nada de interessante, mas no caminhão que é um serviço que faço todos os dias já vi muita coisa desde celular até brinquedos.

Olhar do Sul – Você já se sentiu triste por fazer esse trabalho?

Rudnei – Sim. Tem pessoas que não reconhecem e ainda criticam o que fazemos e tem casos em que somos nós os culpados pela sujeira do local ou que não coletamos corretamente. Mas não é isso que irá fazer nós desistirmos de continuar, vamos em frente.

Olhar do Sul – Sua mensagem final?

Rudnei – Gostaria de agradecer a equipe do Portal de Notícias por nos procurarem para falarmos um pouco. Aproveito também para solicitar a todos que estão lendo essa entrevista que na hora de por o lixo no lixo que tente separar corretamente assim ajudará nós ao pegar o material e a natureza também. Muito Obrigado.

Fonte: Olhar do Sul