O mercado da soja em Santa Catarina apresenta sinais de resiliência e pontos positivos para os produtores, apesar da pressão típica do período de colheita no Brasil. Em fevereiro, o preço médio ao produtor em Santa Catarina foi de R$117,09 por saca, uma retração de 3,7% em relação ao mês anterior, movimento esperado diante da entrada de uma safra volumosa no mercado nacional.
De acordo com o Boletim Agropecuário de março, publicação mensal do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, o mercado de soja se equilibra entre o cenário interno e externo. O documento traz informações atualizadas sobre produção, preços, clima e mercado, funcionando como termômetro do agronegócio catarinense.
No entanto, o cenário interno contrasta com o ambiente internacional. As cotações na Bolsa de Chicago avançaram em fevereiro e no início de março, impulsionadas principalmente pela valorização do petróleo e do óleo de soja, reflexo das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Esse movimento tem sustentado os preços globais da oleaginosa acima de US$ 12 por bushel, nos níveis mais altos desde maio de 2024.
O analista da Epagri/Cepa, Haroldo Tavares Elias, avalia que a safra recorde de soja no Brasil, em plena fase de colheita, amplia a oferta do grão no mercado interno e exerce pressão negativa sobre os preços ao produtor. “Neste cenário externo, porém, o movimento é distinto, pois as tensões no Oriente Médio elevaram o preço do petróleo, o que tornou o óleo de soja uma alternativa para a composição de biocombustíveis”, afirma.
Em Santa Catarina, a variação dos preços segue moderada e estável. Nos últimos 30 dias, a queda foi de 3,0%, enquanto, no acumulado de 12 meses, a retração ficou em 3,4%, indicando um ajuste gradual e sem movimentos bruscos no mercado estadual, conforme análise da Epagri/Cepa.
Outro ponto positivo vem do comportamento dos fundos de investimento, que voltaram a assumir posições compradas em Chicago, reforçando o viés de sustentação das cotações internacionais. Além disso, o mercado acompanha atentamente os relatórios do USDA, que, apesar de indicarem estoques globais confortáveis, mantêm a atenção sobre fatores geopolíticos e energéticos que podem seguir dando suporte aos preços.
Safra Catarinense 2025/26
Mesmo com redução de área e ajustes na produtividade em relação ao recorde anterior, o quadro geral das lavouras segue positivo em Santa Catarina. Até o início de março, 83% das áreas estavam em boas condições, e a colheita avançava dentro do esperado. Episódios localizados de estiagem não comprometem, até o momento, o desempenho global da produção no Estado.
O conjunto desses fatores indica que, embora o mercado atravesse um período de acomodação, a soja segue com fundamentos sólidos. A combinação de demanda internacional, valorização dos derivados e boa condução das lavouras em Santa Catarina sustenta uma perspectiva mais equilibrada e construtiva para os próximos meses.
O analista da Epagri/Cepa, Haroldo Tavares Elias, explica que, na atual safra de soja, houve um pequeno recuo na área plantada em Santa Catarina. Apesar disso, ao considerar o desempenho conjunto da primeira e da segunda safra, a expectativa é de que a produção estadual ainda alcance cerca de 3 milhões de toneladas, volume suficiente para garantir a autossuficiência no abastecimento interno.
“Santa Catarina é autossuficiente em soja. Mesmo que não fosse, não haveria risco de desabastecimento, já que o Estado está entre o Paraná e o Rio Grande do Sul, dois grandes produtores capazes de suprir eventuais demandas do mercado catarinense. A situação é diferente no caso do milho. O Estado não é suficiente na produção e precisa buscar cerca de 6 milhões de toneladas fora do território catarinense, oriundas principalmente do Centro-Oeste ou do Paraguai”, destaca Elias.
Boletim Agropecuário de Santa Catarina
O Boletim Agropecuário é uma publicação mensal produzida pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa). A edição reúne informações atualizadas sobre produção, preços, clima e mercado, funcionando como um termômetro do desempenho do agronegócio catarinense. O conteúdo completo deste mês está disponível neste link. Confira os destaques das principais culturas do agro de Santa Catarina presentes no Boletim Agropecuário de março de 2026:
Exportações e Ajuste de Oferta Sustentam Cenário Mais Equilibrado para o Arroz
Os preços do arroz apresentaram leve recuperação no início de março no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, sustentados pela baixa liquidez e pela retenção de vendas por parte dos produtores, o que levou indústrias a elevar pontualmente suas ofertas; ainda assim, o avanço da colheita, os estoques elevados e o mercado externo apenas moderadamente favorável limitam novas altas e mantêm margens negativas no campo. As exportações surgem como alternativa para aliviar a oferta interna e mostram sinais de melhora em 2026, com alta de 59% no valor embarcado entre janeiro e fevereiro, segundo o MDIC, tendência que pode refletir nos preços internos.
Feijão Mantém Ritmo de Alta e Mercado Segue Aquecido
O mercado de feijão em Santa Catarina começou 2026 com valorização do produto, consolidando uma tendência de alta impulsionada pelo ritmo aquecido de vendas: o feijão-carioca acumulou ganho de mais de 40% no mês, com novos avanços na primeira semana de março, enquanto o feijão-preto também registrou elevação consistente no período. No campo, a colheita da primeira safra alcançou 63% da área até o fim de fevereiro, com predominância de lavouras em maturação, embora o excesso de calor e a umidade tenha reduzido o ritmo dos trabalhos.
Milho Entra em Novo Ciclo com Produção Consistente e Cenário Favorável
Os preços do milho recuaram no Sul do Brasil em fevereiro e início de março, pressionados pelo avanço da colheita da safra de verão e pelos estoques remanescentes, com retração de 4,5% em 30 dias; em sentido oposto, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa avançou mais de 5% no mês, refletindo no mercado futuro o atraso no plantio da segunda safra e o risco de perdas na produção. Para a safra 2025/26, a área cultivada cresceu 1,95% e as lavouras apresentam bom desempenho geral, com produtividade estimada em 8.802 kg/ha, abaixo do ciclo anterior, considerado excepcional.
Trigo Busca Reequilíbrio e Abre Espaço para Oportunidades na Próxima Safra
A comercialização do trigo da safra 2025 segue em ritmo lento diante de um mercado interno estagnado, cenário que em Santa Catarina é reforçado pela queda dos preços ao produtor, que recuaram em fevereiro, fechando mês em R$ 60,83/sc. Em relação à safra, a área plantada reduziu cerca de 15%, mesmo com ganho de produtividade de 4,5%, o resultado não compensou a redução de 11,08% na produção em relação a 2024.
Exportações Impulsionam a Bananicultura e Reforçam Liderança
Os preços da banana recuaram em Santa Catarina no primeiro bimestre de 2026, puxados pela maior oferta, com queda mais acentuada da banana-caturra, enquanto a banana-prata apresentou recuo moderado e tende à estabilidade em março. Na média, as cotações caíram 7,3% entre janeiro e fevereiro, e a expectativa é de manutenção da pressão sobre os preços com o avanço da produção e maior concorrência entre as frutas.
Produtores de Alho Adotam Estratégia de Retenção em Cenário Desafiador
Grande parte da safra de alho permanece armazenada em Santa Catarina, com apenas cerca de 20% do volume produzido já comercializado, em um cenário de preços pouco atrativos ao produtor e ao atacado. No mercado estadual, as cotações recuaram no início do ano, refletindo a elevada oferta interna e o aumento das importações, especialmente da Argentina.
Cebola Recua em Fevereiro, mas Preços Reagem no Início de Março
O preço médio da cebola ao produtor em Santa Catarina caiu 8% em fevereiro, fechando o mês em R$ 0,71/kg, movimento acompanhado pelo atacado, que também registrou retração de 8%. Com cerca de 50% da safra já comercializada, o mercado mostrou reação na primeira semana de março, impulsionada pelo fim da oferta do Rio Grande do Sul e do Paraná, além das chuvas no Nordeste, que dificultaram o escoamento do produto e concentraram a oferta nacional no estado catarinense.
Boi Gordo Sobe em Março com Força das Exportações e Menor Oferta
O preço médio do boi gordo em Santa Catarina avançou 2,2% nas duas primeiras semanas de março em relação a fevereiro, acompanhando a tendência dos principais estados produtores, e acumula alta de 10,8% na comparação com março de 2025, em valores corrigidos pelo IGP-DI. A valorização é sustentada pelo forte desempenho das exportações brasileiras de carne bovina, que cresceram 23% no primeiro bimestre do ano e atingiram novo recorde para o período.
Avicultura Catarinense Registra Recorde de Receitas e Amplia Presença Global
As exportações de carne de frango de Santa Catarina somaram 104,6 mil toneladas em fevereiro, alta de 1,5% frente a janeiro, com receitas de US$ 215,4 milhões. No acumulado do primeiro bimestre, os embarques alcançaram 207,8 mil toneladas e US$ 441,6 milhões, os melhores resultados da série histórica em valor e o segundo maior em volume.
Base de Dados do site Blog EPAGRI





