Os problemas da Venezuela são divulgados frequentemente nos noticiários, um cenário triste de fome, guerra e miséria. Agora entendemos um pouco mais sobre a realidade do país, através que tive com a Família “Llovera Chaparro”.

   Há cerca de três meses um casal de venezuelanos, Carlos Arredondo e Yaraimiusca Del Carmen Perez Fajardo, vieram ao Brasil, passaram por vários estados, e, em Santa Catarina acabaram escolhendo São Ludgero para se estabelecer. Com a situação mais controlada, após Carlos ter conquistado um emprego, conseguiu abrigar na pequena residência alugada no bairro Beira Rio, a sua ex-mulher, Veronica, com seus dois filhos, Fabian Eduardo e Jean Carlos Gabriel, de 6 e 4 anos, o irmão dela Jesus Alexander, acompanhados dos pais Jesus Irrael e Nayelitt.

   O senhor Irrael, de 48 anos, comentou que na Venezuela trabalhou muito tempo como policial, depois virou repositor em supermercados, fez faxina, entre outras muitas atividades e tentativas de se manter no país de onde desejariam nunca ter saído. Eles moravam na cidade de São José de Guanipo.

Quando questionei como era a vida antes da crise? Responderam que era muito boa, tinham patrimônio e bons empregos, mas perderam tudo e tiveram que procurar abrigo aqui no Brasil. Se entristecem ao falar sobre deixar para trás amigos e familiares. Ponto da entrevista em que a emoção é quase incontrolável. Inclusive o desejo da família é de que se um dia o país voltar a melhorar, desejam retornar.

Ainda em seu relato, Irrael afimra que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, quer “pintar” ao resto do mundo, uma situação de conforto e estabilidade que não existe por lá.

“A repressão é muito forte, nada pode se falar porque o risco de ser assassinado existe a todo momento. Pessoas roubando para sobreviver, a situação está fora de controle, a fome é um grande problema e não há medicina, medicamentos, nada. As crianças doentes e para tratar a saúde somente ervas medicinais, só o que se plantava, “comentou.

O jovem Jesus Alexander tem Ensino Médio completo e sua irmã Veronica tem formação em Administração de Empresas, mas infelizmente lamenta por sua dedicação ter se tornado inválida.

“Tenho formação em Administração e agora nada vale, nem lá e nem aqui no Brasil, fico pensando de que adiantou tanta dedicação e anos de estudo, “lamenta a jovem.

Neste momento comentei que ela adquiriu conhecimento, apesar do diploma não ter lhe proporcionado uma vida melhor, com isso, logo sorriu e concordou. O irmão dela, Alexander, disse que um grande amigo, engenheiro civil, estava trabalhando como faxineiro na Venezuela.

A família que passou muita fome no caminho até São Ludgero, principalmente em Pacaraima no estado de Roraima, fronteira com a Venezuela. Alexander disse que foi muito difícil sobreviver, ainda mais para as crianças pequenas.

“Ficamos por duas noites na rua com as crianças e nada para comer, foi algo que não dá para esquecer, foi muito difícil, extremo. Melhorou um pouco quando chegamos em Boa Vista e conseguimos comer um pão com salsicha, mas aqui é diferente, bem melhor, “comentou.

O senhor Irrael fala que a alimentação da família ficou em torno do que plantavam no quintal e algum arroz que conseguiam comprar, mas era de noite ou de dia, tinha que escolher o período em que iriam se alimentar. Somente há alguns dias conseguiram uma alimentação a base de carne e alimentos mais nutritivos.

“Lá não tem como comprar um pedaço de frango, porco ou qualquer carne, chegava a custar 50 dólares, impossível para praticamente todos os venezuelanos, estamos aqui em busca de uma reconstrução familiar, de uma nova oportunidade de vida, “indagou com os olhos lacrimejantes.

Vale ressaltar que as condições da família, por mais que tenham melhorado, se comparada aos últimos meses que passaram na Venezuela, ainda são de muitas dificuldades, tendo em vista que na pequena casa de dois cômodos onde residem em oito pessoas, somente Carlos tem emprego. Falta comida na casa dos Llovera Chaparro. Eles buscam, após conseguir trabalho, uma casa para maior para alugar até porque mais dois familiares estão de chegada na próxima segunda-feira, 27.

Todos os familiares desejam encontrar um emprego digno seja ele qual for e com isso, através da ajuda importante da Secretaria de Assistência Social do Município, em nome do secretário Valcemir Villani, distribuíram Curriculum pela cidade. Também estamos conseguimos apoio com cestas básicas e outros mantimentos.

Outro questionamento que fiz foi quanto a hospitalidade de nosso povo.

“Os brasileiros foram muito bons pra nós e aqui não foi diferente, mas dá para perceber que as pessoas ficam desconfiadas por sermos venezuelanos. Acredito que esta seja uma dificuldade para conseguir firmar uma contratação de trabalho, sabemos que é natural a desconfiança das pessoas, mas desejamos uma oportunidade de mostrar que sabemos trabalhar, “finalizou Irrael.

Mesmo após todas as dificuldades que ainda enfrentam, a alegria da família é contagiante! São extrovertidos, simpáticos e se comunicam muito bem.

Até o fechamento desta edição conseguimos um sinal positivo de emprego para um dos homens da família, mas a campanha continua.

Por Fernando Sombrio

Vídeo no link

https://www.youtube.com/watch?v=LG-zxH5o840&feature=youtu.be